Oficina reuniu grupos brasileiros e internacionais para aprender coreografias uns dos outros e mostrou que o verdadeiro intercâmbio cultural acontece também fora do palco
Se no palco cada grupo apresenta a cultura do seu povo, fora dele todos aprendem juntos. Foi exatamente esse o espírito da oficina Passos da Diversidade, realizada na noite de segunda-feira, dia 20, no CTG Pousada da Serra, durante a programação da 53ª edição do Festival Internacional de Folclore de Nova Petrópolis.
A atividade reuniu dezenas de bailarinos de grupos locais, nacionais e internacionais em um grande encontro de integração cultural. A oficina teve como proposta ensinar danças tradicionais aos demais participantes do festival, transformando o aprendizado em um momento de convivência, troca de experiências e amizade.
Nesta edição, a Associação dos Grupos de Danças Folclóricas Alemãs de Nova Petrópolis apresentou duas danças, conduzidas pelo Grupo de Danças Folclóricas Internacional, enquanto o Ballet de Arte Folclórico Argentino (BAFA) compartilhou outras duas coreografias típicas da cultura argentina. Em poucos minutos, idiomas diferentes deram lugar a uma linguagem compreendida por todos: a dança.
Para Bruna Taís Kiekow, coordenadora do Grupo de Danças Folclóricas Internacional, a oficina representa um dos momentos mais ricos de todo o festival. "É um privilégio participar desse momento. A gente vem para ensinar um pouco da nossa cultura, mas aprende muito mais com os outros grupos. É muito especial poder viver essa troca. Acho que isso nos torna dançarinos melhores, mas, principalmente, pessoas melhores."
Integrante do grupo desde os cinco anos de idade, Bruna destaca que as oficinas proporcionam uma experiência diferente daquela vivida durante as apresentações. "No palco enxergamos os grupos como grandes artistas. Aqui, nas oficinas, conhecemos as pessoas, conversamos, aprendemos juntos e percebemos que todos compartilham o mesmo amor pela cultura. Esse contato é o que torna o festival tão especial."
Quem também fez questão de participar foi a coordenadora da Cadica Danças e Ritmos, de Porto Alegre, Cláudia Pereira da Costa. Para ela, momentos como esse traduzem a verdadeira essência de um Festival de Folclore. "Viemos para viver experiências. Esse momento de integração é mágico. Todo mundo se mistura, aprende um pouquinho da cultura do outro e faz aquilo que mais ama, que é dançar."
Cláudia destaca que o encontro vai muito além do aprendizado técnico. "Cada festival é diferente do outro. Aqui acontece uma verdadeira união de culturas, de vivências e de experiências. Percebo que esse é um dos momentos mais esperados pelos bailarinos. Eles querem estar no palco, mas também querem viver essa convivência."
Neste ano, a Cadica trouxe 22 integrantes a Nova Petrópolis, entre profissionais e alunos de diferentes idades. Pela primeira vez, muitos deles tiveram a oportunidade de participar de um Festival Internacional de Folclore. "Trouxemos bailarinos muito jovens e também alunas com mais de 70 anos. A dança não tem idade. Ver todos vivendo essa experiência juntos é emocionante. Muitas meninas estrearam em um palco como o do festival e realizaram um sonho."
Acostumada a participar de festivais em diversos países, Cláudia afirma que Nova Petrópolis surpreendeu pela qualidade da organização e pela dimensão do evento. "Às vezes pensamos que os grandes festivais estão apenas fora do Brasil, mas aqui, tão perto de nós, existe um evento extraordinário, muito bem organizado e que proporciona experiências inesquecíveis."
Mais do que ensinar passos, a oficina reafirmou um dos principais propósitos do Festival Internacional de Folclore: aproximar pessoas por meio da cultura. Entre risos, aplausos e danças compartilhadas, argentinos, gaúchos, alemães e representantes de diferentes regiões do Brasil mostraram que, quando a música começa, as fronteiras desaparecem.
É nesse ambiente de convivência que o tema da edição de 2026 ganha vida. Antes mesmo das apresentações, o mundo realmente se encontra em Nova Petrópolis e descobre que a dança é uma das formas mais bonitas de falar a mesma língua.
A próxima edição do Passos da Diversidade será no dia 30 de julho, às 20h30, também no CTG Pousada da Serra, com oficinas de danças gaúchas e participação do Ballet Folklórico Real de Jalisco do México. A participação na oficina é aberta para todos os públicos e gratuita.
Realizado pela Prefeitura de Nova Petrópolis, por meio da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura, em parceria com a Associação dos Grupos de Danças Folclóricas Alemãs, o evento conta com apoio da IOV Brasil e financiamento do Pró-Cultura RS, através da Lei de Incentivo à Cultura do Governo do Estado do Rio Grande do Sul; patrocínio master de Dakota, Randoncorp e Sicredi Pioneira; e, ainda, o patrocínio de Banrisul, Corsan, Suibom, Gula Alimentos, Padaria Petrópolis e DGT Monitoramento.
Serviço:
O que: 53º Festival Internacional de Folclore
Quando: Até 2 de agosto
Onde: Rua Coberta de Nova Petrópolis
Entrada gratuita
Site: https://festivaldefolclore.com.br/
Redes sociais: @festivaldefolclorenp
Crédito das fotos: Jei Heydt