EU SOU a canafístula, também conhecida como angico-amarelo e, em Nova Petrópolis, Jardim da Serra Gaúcha e Cidade Educadora, levo cor e vida aos espaços onde cresço. Sou uma árvore nativa da América do Sul e faço parte da família das leguminosas, a mesma do pau-brasil.
Cresço com relativa rapidez e posso alcançar grandes alturas, sempre buscando o sol que tanto aprecio. Adapto-me bem a diferentes condições, inclusive aos climas frios e chuvosos da região. Em certa época do ano, deixo cair todas as minhas folhas, preparando-me para um novo ciclo.
Minha floração é um espetáculo à parte. Entre os meses de dezembro e março, me cubro de flores amarelas vivas com cachos que iluminam a paisagem. Minhas folhas são compostas por pequenas folhinhas alinhadas, lembram a leveza de uma pena.
Sou mais do que beleza. Ofereço sombra generosa, ajudo a proteger o solo, reduzo a força dos ventos. Contribuo para a recuperação de áreas degradadas. Minhas flores atraem abelhas e outros bichinhos, fortalecendo a vida ao meu redor.
Carrego também saberes antigos. Entre povos indígenas, especialmente os guaranis, minhas cascas e folhas são utilizadas no preparo de chás, xaropes e corantes naturais, revelando uma relação de cuidado e conhecimento com a natureza.
Aqui em Nova Petrópolis, não sou apenas uma árvore. Sou a renovação. Sou um convite a reconhecer a importância de cada espécie na construção de um ambiente mais saudável e harmonioso.
CONTEXTO BIOCULTURAL
O angico-amarelo, também conhecido como amendoim bravo, é uma árvore conhecida no Rio Grande do Sul pelo seu símbolo de durabilidade e resistência. A sua presença, tanto na literatura, como no imaginário popular está vinculada a resistência e a cura. Para os guarani, se chama yvyra pytã e para os kaingangs karug mág kupri. O próprio nome angico, também vem do tupi e tem o significado de “várias árvores de madeira dura e seca”. Segundo os indígenas, as folhas dessas árvores são boas para curar a tosse. (FREITAS et al. 2019; SILVA,2025).
FICHA BOTÂNICA
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Espécie: |
Peltophorum dubium Sprenger; |
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Gênero: |
Peltophorum |
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Família: |
Fabaceae |
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Origem: |
Uruguai e Brasil (Paraíba ao Rio Grande do Sul) |
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Altura: |
10 - 40 m |
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Folhas: |
Compostas, bipinadas, alternas, com 16 a 21 pares de pinas, de cor verde-escura; cada pina com 24 a 30 pares de folíolos elípticos-oblongos, opostos, ápice acuminado e base desigual. |
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Características das folhas: |
Caducifólia |
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Floração: |
Verão/Outono |
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Frutificação: |
Outono/Inverno/Primavera |
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Dispersão de sementes: |
Autocoria (Barocoria) / Anemocoria |
REFERÊNCIAS
CARVALHO, Paulo Ernani Ramalho. Espécies Florestais Brasileiras: Recomendações Silviculturais, Potencialidades e Uso de Madeira. Brasília: EMBRAPA-CNPF, 1994. 1035 p.
CARVALHO, Paulo Ernani Ramalho. Espécies arbóreas brasileiras. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica; Colombo: Embrapa Florestas, v.1, 1039 p. 2003.
DONADIO, Nicole Maria Marson; DEMATTÊ, Maria Esmeralda Soares Payão. Morfologia de frutos, sementes e plântulas de canafístula (Peltophorum dubium (Spreng.) Taub.) e jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra (Ver.) Fr. Ar. ex Benth.) - Fabaceae. Revista Brasileira de Sementes, v. 22, n. 1, p. 64-73, 2000.
GARTLAND, Héctor Martín; SALAZAR, Walter. Descripcion y clave de reconocimiento de las principales especies forestales de Misiones ai estado de renuevo. Yvyraretá, Eldorado, v.3, n.3, p.117-129, 1992.
LORENZI, Harri. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2002, v.1, p.368.
REITZ, Raulino; KLEIN, Roberto Miguel; REIS, Ademir. Projeto madeira de Santa Catarina. Sellowia, n.34/35, p.525, 1978.
XAVIER, Carolina Nogueira. Avaliação não destrutiva da qualidade da madeira e do fuste de árvores de Peltophorum dubium (Spreng.) Taub em área de restauração florestal. [55 f.]. Dissertação (Programa de Pós- Graduação em Ciências Ambientais e Florestais) - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ. 2016
https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/301432/001301150.pdf?sequence=1&isAllowed=y
SERVIÇO FLORESTAL BRASILEIRO. Inventário Florestal Nacional: principais resultados: Terra Indígena Mangueirinha. Brasília, DF: MAPA, 2019. 76p. (Série Relatórios Técnicos - IFN). Disponível em: http://www.florestal.gov. Acesso dia 17 de dez. de 2025.